A
metonímia, outro recurso retórico, é a alteração
de sentido de uma palavra ou expressão pelo acréscimo
de um outro significado ao já existente quando entre eles existe
uma relação de contigüidade, de inclusão,
de implicação, de interdependência, de coexistência.
Por exemplo, quando dizemos "As cãs inspiram respeito",
estamos empregando cãs por velhice,
porque as pessoas idosas possuem, em geral, cabelos brancos.
Outros
exemplos de metonímia:
-
ser uma pena brilhante = ser um grande escritor
-
ter
cinco bocas para alimentar = ter cinco pessoas para alimentar
-
foi
movimentada a redonda no gramado = foi movimentada a bola
-
ser
o Cristo da turma = ser o culpado
-
ter ótima cabeça = ter inteligência
-
no
Oriente Médio, não descansam as armas = ... não
descansam os guerreiros
Enquanto
a metáfora baseia-se numa relação de similaridade
de sentidos, a metonímia baseia-se numa relação
de contigüidade de sentidos. Esses processos de mudança
de sentido são, também, muito produtivos na linguagem
quotidiana. Plantas, animais, elementos da natureza, partes do corpo
humano são fontes de muitas metáforas cognitivas: o mar
está cheio de cavalos, estrelas, leões (cavalo-marinho,
estrela-do-mar, leão-marinho, peixe-boi); o jardim está
cheio de bocas-de-leão, línguas-de-sogra, bolas-de-neve;
na natureza falamos da cabeça de uma ponte, do pé
de uma montanha, da boca de um rio, da raiz da serra.
A
valorização positiva ou negativa é outra fonte
de inúmeras metáforas: minha gata, minha flor, uma vaca,
um burro, uma besta.