A
metáfora é uma figura de linguagem que consiste na alteração
do sentido de uma palavra ou expressão, pelo acréscimo
de um segundo significado, quando entre o sentido de base e o acrescentado
há uma relação de semelhança, de intersecção,
isto é, quando apresentam traços semânticos comuns.
Conceito
tradicional e essencial para a compreensão do processo de significação
da linguagem humana, a metáfora pode ser definida como
uma transferência de significado que tem como base uma
analogia: dois conceitos são relacionados por apresentarem, na
concepção do falante, algum ponto em comum. A partir daí,
amplia-se o campo de abrangência do vocábulo, instaurando-se
a polissemia, essencial para que se realize qualquer processo de mudança,
que exige variação e continuidade. Em termos cognitivos,
os procedimentos analógicos apóiam-se em conceitos mais
concretos e mais próximos à experiência do indivíduo.
Dessa maneira, ele pode estender sua compreensão para níveis
mais complexos e abstratos de apreensão e conhecimento da realidade.
Esse procedimento é altamente produtivo na ampliação
e renovação do vocabulário de uma língua.
Embora
seja um processo tradicionalmente encarado como eminentemente semântico,
na verdade ele opera com regras pragmáticas. Se entendida apenas
no nível semântico, a analogia metafórica pode não
ser plenamente decodificada pelo receptor. As inferências são
significações pragmáticas não dedutíveis
de regras lógicas, mas sim de regras conversacionais, do que
é verdadeiro ou relevante a partir das relações
contextuais.

Exemplos
de metáfora:
O mundo do menino impossível
(Jorge de Lima)
Fim
da tarde, boquinha da noite
com as primeiras estrelas
e os derradeiros sinos.
Entre
as estrelas e lá detrás da igreja,
surge a lua cheia
para chorar com os poetas.
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Inutilidades
(José Paulo Paes)
Ninguém
coça as costas da cadeira.
Ninguém chupa a manga da camisa.
O piano jamais abana a cauda.
Tem asa, porém não voa, a xícara.
De
que serve o pé da mesa não anda?
E a boca da calça se não fala nunca?
Nem sempre o botão está em sua casa.
O dente de alho não morde coisa alguma.
Ah!
se trotassem os cavalos do motor ...
Ah! se fosse de circo o macaco do carro ...
Então a menina dos olhos comeria
Até bolo esportivo e bala de revólver.
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