O Atlas Lingüístico da Paraíba

O Atlas Linguístico da Paraíba (ALP), de que já se publicaram dois dos três volumes previstos (1984), faz parte "de um projeto de pesquisa mais amplo, de levantamento Paradigmo-Sintagmático do Léxico Paraibano, que compreende, ainda, a análise da língua falada por pessoas de nível cultural mais alto - norma culta - e a linguagem regional escrita, através da análise de jornais, crônicas, contos populares etc., para que se tenha uma descrição completa do português falado e escrito na região".

Maria do Socorro S. de Aragão, que, com Cleusa Palmeira B. de Menezes, coordenou a equipe encarregada de viabilizar o projeto elaborado em 1976, antes de iniciar a pesquisa de campo, viajou à Europa, onde procurou especia-lizar-se em geolingüística, e recebeu orientação de Manuel Alvar e Marie Rose Simoni, autores de atlas regionais.

1novação em relação a trabalhos da mesma natureza, no âmbito brasileiro, é o fato de se terem entrevistado de três a dez informantes em cada uma das 25 sedes de município que constituíram os pontos de inquérito e o de se ter elaborado o questionário em duas partes. A geral, com 289 questões, abarcou sete campos semânticos; a específica, com 588 questões, abordou o léxico relativo aos cinco principais produtos agrícolas da Paraíba: mandioca, cana-de-açúcar, agave, algodão e abacaxi. Os resultados obtidos com a aplicação desta última parte do questionário comporão o terceiro volume do ALP.

Chama a atenção, nas cartas léxicas já publicadas, a gama de variações para um mesmo referente - como é o caso da carta número 19, correspondente à pergunta tempestade, e que apresenta vinte e duas variantes -, havendo localidades em que ocorrem até seis lexias diferentes.

Quanto aos traços fonéticos, verifica-se que o /r/ implo-sivo realiza-se, sobretudo, como vibrante aspirada e, secundariamente, como vibrante retroflexa ou semivogal e que [c] e [ o ] representam o padrão de pronúncia das pretônicas, embora também seja freqüente o fone [u], como resultado da neutralização entre /o/ e /u/ na mesma situação.

O segundo volume do ALP contém a análise e a sistematização dos "aspectos fonético-fonológicos e morfossintáti-cos, específicos e determinantes do falar paraibano"", e, ainda, um glossário, em que se colocam em relevo as formas não-dicionarizadas.

Bibliografia: BRANDÃO, Sílvia F. A Geografia Linguística no Brasil.São Paulo, Ática, 1991.