MOVIMENTO PERPÉTUO: CAMINHO MANIFESTO
cuando P´an Ku modelou acheles blocos de granito
e Yu Ch´ao ensinou os homens a construir casas
SHIH SHING
para modelar o verbo
morrer não é permitido
aproveitar o dia
o dom será fruto de tua indiferença
princípio
águas planas
árvore ilhada num trigal
salgheiro silvante
música
Madredeus
cacos de copos
colinas irlandesas
onde os celtas dançavam e viam o mar e contavam histórias
até que por volta do Sec. V chegou São Patrício
e mostrou-lhes a escrita
e rumo a Manhatã içaram
e hoje são tigres
o senhor que vendia chapéus na Sete de Setembro
o velho fazedor de rabecas
o ourives o artesão o alfaiate pulsam
nos seus cem mil feitos em série
a indústria não supera o coração
espelho—
vidro refletindo
luz contra
olhos refletindo
espelho
se o Rio Amarelo cortasse o Sertão
recanto suave nos sonhos de Harada
estações sobre arrozal
contraponto
metropolivertigem nas tintas de Nunes
(Kon Fu Tse na peleja com o Tinhoso)
—cordel
a noite entre as estrelas
caía sobre o telhado das casas
e o mar
fecundo princípio de todas as coisas
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e os dragões desciam dos céus
e o azul caía da lua
até a profundeza dos bosques
elfos e bacantes
pífanos e tambores
oh, mia belladonna!
gaivota de prata refletida n´água
mia dolce belladonna!
ineficaz efeito de teu olhar
cuando não fores mais este mas outro
apenas homem e
eterno
tragas o arco e serei teu mestre
e dentre tudo:
a obra é eterna
teu pão e vinho
caminho feito a cada passo
cada VERSO lido/(re)criado
a Obra é uma
com cem mil autores perpétuos-auto-edificados
NADA MORRE
a Obra atemporal eternamente adiante e
a Obra prostituta
multifacetada/ multidisciplinada/ multidissimulada/ multivisual
cualcher linguagem é o dom da fala
universo convergecêntrico dos sentidos
SÍNTESE
não haverá carne e pele
tangida pelo tempo
Cummings chocolate, pechena suja
sul ponticello spiccato sul tasto
mariposas investindo contra o céu
incisões em carne e corda
peito pulsando no compasso
cadência de um clarão
(Stern brandindo espada contra Bartók)
vórtice velox
discípulo, profeta e deus vivo
re do mi nando
a criação
POIESIS
em compassos curtos
ritenuto:
o sonho é folha seca sobre alguma coisa
toalha de renda contra a mesa de ébano
é a formiga centauro olhando o mar
consome e consola
erghe orchestras evocando glórias
em cordas e tímpanos e trompas
para chem não morre
sonho
vício
e tudo lá
em si
EXPLICITO CANTO