Histórico da Pós-Graduação do OV/UFRJ 
 

    O Observatório do Valongo (OV) teve origem na iniciativa de criação do Observatório da Escola Politécnica, em 1881, localizado no Morro de Santo Antônio.  Com a decisão urbanística de derrubada do morro, todos os equipamentos que haviam no observatório foram levados, em 1921, para a Chácara do Valongo, local onde, antes da Abolição, eram deixados os escravos para serem vendidos e, em 1924, foi inaugurado o Observatório do Valongo. 

    Após a Reforma Universitária de 1967, com a criação do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), o Observatório do Valongo e o curso de graduação em Astronomia da antiga Universidade do Brasil foram incorporados à UFRJ.  Por motivos históricos o OV foi integrado ao CCMN, enquanto o curso de Astronomia passou a ser conduzido pelo Departamento de Astronomia do Instituto de Geociências do CCMN. Entretanto já em 1968, o OV passou a ser a sede  do Departamento de Astronomia e vem fornecendo, desde então, infra-estrutura para o desenvolvimento de suas atividades de ensino (Curso de Astronomia), de pesquisa e de extensão. Maior detalhamento dessas informações pode ser encontrado em Arany-Prado (1998, Boletim da SAB, 17,23). Atualmente o Observatório do Valongo está seguindo um processo cujo objetivo é sua transformação num Instituto.  Diversas iniciativas e um grande empenho de professores de seu quadro têm levado esta Unidade, especialmente nos últimos anos, na direção de tornar-se, um dos importantes pólos na área de Astronomia do Rio de Janeiro. 

    Junto ao ensino de graduação e da pesquisa orientada, o Valongo também disponi-biliza atividades que têm como objetivo a melhoria do ensino fundamental e do ensino médio - com atividades de extensão para professores de Ciências destes segmentos, através de projetos financiados pela FUJB, VITAE, CAPES e pela FAPERJ. O Observatório conta, também, com uma biblioteca onde existe um acervo de mais de 2 mil livros e 56 títulos de periódicos; com Laboratórios de Computação - destinado ao trabalho de docentes e pesquisadores - e de Informática para a Graduação - destinado ao trabalho de alunos e ao ensino  interativo de astronomia por computador; com os telescópios e detectores. 

  O Observatório do Valongo é uma unidade peculiar, visto ser a única entre as instituições da área, no Brasil, que possui um curso de graduação em Astronomia, iniciado em 1958, na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. A história mostra, entretanto, que durante a maior parte da existência do Curso, seu corpo docente apresentou baixa qualificação, o que se justifica parcialmente pela juventude da Astronomia no Brasil, pela inexistência, nos primórdios do OV, de uma política de incentivo à formação no exterior e também pelo isolamento do OV em relação à comu-nidade incipiente.

    Embora o curso de graduação em Astronomia tenha passado por diversas reformas (1963, 1967, 1969 e 1975), a sua qualidade somente teve um salto expressivo a partir da reforma curricular, de 1984. Este ano também marcou o início de atividades que trouxeram aos alunos um contato com especialistas e uma visão ampla das diversas áreas de atuação, não só em Astronomia, Física e Matemática, como também em Educação, Filosofia e História da Ciência. Os resultados destas transformações foram evidentes. A inserção dos alunos dessa reforma nos programas de pós-graduação em Astronomia, a partir de 1987, deu início à vagarosa transformação do conceito do Curso na comunidade, o que também contribuiu para que as mudanças estruturais posteriores fossem mais rapidamente absorvidas. Este processo culminou com a inclusão da UFRJ, em 1993, na lista de instituições de ensino de Astronomia junto à International Astronomical Union (IAU).

    De fato, o OV investiu maciçamente em um trabalho de progressiva adequação curricular que permitisse a formação de seus alunos de forma satisfatória; que estes fossem preparados para os programas de pós-graduação em Astronomia; e, finalmente, que viesse a favorecê-los em termos do aproveitamento no mercado de trabalho. Particularmente, houve uma maior aproximação entre o Instituto de Física (IF/UFRJ) e o Departamento de Astronomia/OV e ambos têm discutido, nos últimos anos, novas propostas curriculares que tragam modernidade para seus cursos.  Estes esforços estão se concretizando numa última reforma curricular que será posta em prática neste ano de 2002. 

     O curso de graduação forma atualmente profissionais que se inserem em diferentes atividades como: (a) alunos de pós-graduação em outras instituições; (b) pós-doutorandos; (c) pesquisadores ou docentes em diversas instituições científicas e acadêmicas nacionais; (d) profissionais na área de ensino; (e) profissionais nas áreas tecnológica ou técnica e (f) profissionais na área de divulgação científica. 

     A figura 1 abaixo (Arany-Prado 2002, em VIII Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física da SBF), mostra a evolução histórica da performance do curso através do número acumulado de alunos formados e a produção discente medida como Projetos Finais, trabalhos apresentados em Jornadas de Iniciação Científica da UFRJ e em Reuniões da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB). 

Figura 1. Evolução da formação de pessoal e da produção discente
 apresentada em reuniões científicas




Note-se a taxa constante de formação de alunos e o abrupto início de uma intensa atuação destes, no âmbito extra-institucional, através da participação nas Jornadas de Iniciação Científica da UFRJ, a partir de 1984, e nas reuniões da SAB, a partir de 1992.  Em especial, este último ponto é fruto do constante crescimento da qualidade do curso.

     De fato, as reformulações que o curso de Graduação em Astronomia sofreu, ao longo dos últimos anos, tiveram o reconhecimento da comunidade astronômica brasileira como uma ação modernizadora e de melhoria de sua qualidade, como mostram, também, as estatísticas de absorção de pessoal formado pelo Observatório do Valongo em programas de pós-graduação e posterior contratação em centros de pesquisa e ensino.  A Figura 2, abaixo (Arany-Prado 2002, mesma referência supracitada), mostra, em percentuais dos alunos formados para diferentes períodos de conclusão do curso de graduação, a absorção destes, em instituições de Astronomia, Física e Matemática em programas de pós-graduação em andamento nas categorias de Mestrado e Doutorado.  Cada percentual é relativo ao número de alunos formados nos intervalos de 7 anos mostrados no eixo horizontal. O número total de cada intervalo encontra-se sobre as colunas.

Figura 2. Obtenção de titulação do pessoal originário do Curso de Astronomia,
em programas de  pós-graduação em diferentes áreas e instituições mostrado 
em faixas de anos relativos à conclusão da graduação





    A Figura 3, abaixo (Prado 2002, mesma referência supracitada), mostra o mesmo tipo de estatística da Figura 2, relativa à absorção dos formados em instituições de Astronomia, Física e Matemática, através de contratos de trabalho e posição de pós-doutorando. Foram computados contratos vigentes atualmente e em anos anteriores, em atividades de pesquisa, de ensino, tecnológica e de divulgação.

    Considerando que, entre as principais instituições desta estatística (aceitando alunos para pós-graduação ou contratando os alunos formados no curso de graduação em Astronomia) estão o Observatório Nacional, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o Instituto Astronômico e Geofísico da USP, estes dados são uma inequívoca demonstração da capacitação dos profissionais formados para se integrar a institutos de pesquisa do melhor nível da astronomia brasileira.  A história do OV é de uma constante melhora de sua qualidade e ampliação de sua atuação no cenário nacional.
 
 

Figura 3. Absorção de pessoal proveniente do Curso de Astronomia
em diferentes áreas e instituições, através de contratações ou 
inserção em programa de pós-doutoramento





    Uma continuidade natural dessa história é a criação de um Programa de Pós-graduação.  Embora uma iniciativa nesse sentido tenha sido feita, há alguns anos atrás, ela foi prematura devido à insuficiência de pessoal e o alto padrão que se impõe, atualmente, devido à excelente atuação da CAPES no cenário nacional.   A esse esforço vem se juntar, agora, um grupo de pesquisadores do Observatório Nacional (ON), que há vários anos vem interagindo com o OV, através de orientação de alunos de iniciação cientifica, trabalhos de final de curso, mestrado e doutorado, coordenação de programas de pós-doutoramento e trabalhos de colaboração científica.  Além disso, foi aprovado pela CAPES um projeto conjunto OV-ON, (pioneiro como ação interinstitucional) através do Programa de Apoio à Integração Graduação/Pós-graduação (PROIN), visando a formação profissional em técnicas observacionais e de redução de dados, para alunos dos primeiros anos de graduação. Este grupo do ON conta com 8 pesquisadores (3 atual-mente no exterior) que desejam exercer suas atividades de pesquisa e ensino junto a um ambiente universitário e vêem no OV um terreno fértil para o desenvolvimento de um projeto de criação de um núcleo de excelência na área de Astronomia.  A qualificação deste grupo pode ser atestada nos documentos que acompanham este processo e podem ser sintetizadas nas seguintes informações: (a) seis pesquisadores do grupo têm senioridade compatível com a função de Pesquisador Titular; (b) todos os pesquisadores do grupo, atualmente no país, tem bolsa de produtividade do CNPq e os que estão no exterior têm reconhecida qualificação para tal bolsa; (c)  a maioria dos pesquisadores tem experiência e participação em atividades de gerenciamento científico, inclusive na criação e condução da pós-graduação do ON; (d) todos os pesquisadores já orientaram e formaram alunos e ministraram cursos em programas de pós-graduação e (e) alguns projetos de pesquisa desenvolvidos por pesquisadores do grupo têm âmbito e reper-cussão internacionais e altos índices de citações.

    Através de um convênio recém firmado entre o Observatório Nacional e a UFRJ/OV, este grupo estará lotado junto à diretoria do Observatório do Valongo, possibilitando a formação de um Grupo de Estudos em Astronomia (GEA), que desenvolverá pesquisa nas áreas de Astronomia e Astrofísica e patrocinará o Programa de Pós-graduação aqui descrito.

    Pesquisa e pós-graduação na Astronomia moderna requerem a possibilidade de uma formação que, ao mesmo tempo, tenha uma base sólida e a possibilidade de algum grau de liberdade quanto à multidisciplinaridade, devido à diversidade de atividades que esta área apresenta atualmente.  Desta forma, é essencial uma composição com as áreas da Física, Matemática e Química na elaboração da grade de cursos, elenco de disciplinas e formação do corpo docente.  Para tal, o GEA congregará inicialmente: 5 pesquisadores do ON (atualmente no país) vindos para o OV através do convênio ON-UFRJ; 4 docentes do Observatório do Valongo; 2 docentes do Instituto de Física e 1 docente do Instituto de Química, conforme descrição em anexo.  Este grupo representa o conjunto de pesquisadores e docentes interessados em participar do Programa aqui proposto e que têm a qualificação para participação no corpo docente, de acordo com o regimento proposto em anexo.

   O crescimento da Astronomia no Brasil tem sido bastante alto nos últimos anos e a participação brasileira nesta área, no cenário internacional, igualmente relevante e destacada, assim como o envolvimento brasileiro em consórcios de construção de grandes telescópios e utilização de sítios astronômicos no exterior.  Esses dados exigem que os profissionais formados sejam capacitados para acompanhar os novos níveis de exigência em termos de conhecimento e modernidade. Pretendemos que a institucionalização deste Programa de Pós-graduação em Astronomia seja um primeiro passo nesta direção e, neste sentido, o Programa está estruturado para formar profissionais nas sub-áreas da Astronomia usualmente denominadas:

Astrofísica Estelar
Astrofísica Extragaláctica e Cosmologia
Astrofísica Galáctica e Meio Interestelar
Astrometria
Sistemas Planetários
 

     A confecção da grade de cursos está feita de modo a oferecer ao aluno um elenco de disciplinas básicas incluindo cadeiras das áreas de Astronomia e da Física que lhe permitam uma formação adequada para a sua especialidade, entre as mencionadas acima. Além das cadeiras básicas oferecidas por docentes do GEA, o estabelecimento de uma cooperação entre o Programa aqui proposto e o Instituto de Física da UFRJ garantirá o oferecimento de 3 cursos da alta qualidade daquele instituto, que estão qualificadas como básicos para este Programa. Em adição a isto, um elenco de disciplinas eletivas das áreas de Astronomia, Física e Química, oferecidas pelos docentes do GEA, permitirá aos alunos a complementação de sua formação na especialidade escolhida.  Também neste caso, cooperações tanto com o Instituto de Física, quanto com o Instituto de Química da UFRJ permitirão o aproveitamento comum de disciplinas ministradas por docentes, destes institutos, participantes do GEA.

    Devido à particularidade de que a Astronomia moderna evolui muito rapidamente na sua área experimental, técnicas observacionais e instrumentação, desenvolvidas em centros de pesquisa de vanguarda, se superam constantemente numa escala de tempo curta.  Para manter a atualidade na formação dos alunos, pretendemos incluir na grade de disciplinas uma cadeira de Tópicos dedicada a esse tema e ministrada por professores externos convidados entre reconhecidos especialistas de instituições de alta qualificação.

     Pretendemos que o profissional formado com a titulação de doutor, neste Programa, já tenha se envolvido durante sua formação com algum projeto de pesquisa produtivo e relevante, tendo participado de publicação de artigos em periódicos de circulação internacional com arbitragem e que esteja capacitado para ingressar imediatamente em programas de pós-doutoramento nos melhores centros de pesquisa nacionais e no exterior e concorrer, logo após, a posições de trabalho em instituições acadêmicas de ensino e pesquisa.  Entendemos que é essencial para o sucesso dessa iniciativa, a manutenção de um objetivo de alcançar, em médio prazo, uma nota 6 na CAPES, sendo necessário, por parte da UFRJ, um apoio efetivo, em curto prazo, no sentido da contratação de pelo menos mais 2 profissionais de boa qualidade para o Observatório do Valongo, adicional a uma política de crescimento sustentado para os próximos dez anos.
 

 

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