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Desenvolvimento
em mineração subterrânea de uma pedreira a céu aberto paralisada.
Fornaro e Bosticcio, 1992. Extraido e traduzido da Revista Marmomacchine
International. Este
exemplo refere-se à transferência da pedreira a céu aberto "Del
Colle" localizada em Borgio Verezzi na Savona, Itália, para mineração
subterrânea. Até os anos 90 foram aí mineradas duas variedades
premium da pedra "Finale": a "Pietra Lara" e o
"Membro di Verezzi" Os
trabalhos a céu aberto foram desenvolvidos através de corte com fio
helicoidal, mais lento que o fio diamantado, porém mais econômico e
mais produtivo, pela maciez destas rochas. Outros pontos a ponderar
referem-se à maior quantidade de água necessária para lubrificar o
fio diamantado e a heterogeneidade das rochas presentes. O
método utilizou as seguintes fases de corte em pedreiras: 1-
A fase "sgambatura" que consistiu em extrair uma faixa
de vários metros de extensão, cortando sua base e removendo-a, operação
facilitada pela presença de material pouco coeso na sua lapa; 2-
Efetuação de cortes primários verticais perpendiculares à
frente da pedreira; 3-
Efetuação de cortes secundários verticais paralelos à frente
da pedreira; 4-
Tombamento e extração dos blocos em forma de paralelepidos
resultantes para subsequente redução e enquadramento na praça. Entretanto,
devido a questões ambientais, a pedreira foi obrigada a paralisar sua
operação a céu aberto. Foi proposto então prosseguir em subterrâneo
por câmaras e diafragma, direcionado pelas camadas e perpendicular ao
sistema primário de fraturamento. Este método foi preferido ao
tradicional de câmaras e pilares por assegurar maior estabilidade e
ventilação às câmaras mas
sobretudo por criar câmaras independentes, eventualmente reutilizáveis. A opção por lavra subterrânea permitiu renovar a operação
sem degradar a paisagem e fornecer material para a restauração de edifícios
históricos. Transferência
para subterrâneo de uma pedreira de rocha conglomerática Trata-se
de uma experiência em subterrâneo, numa pedreira desenvolvida a céu
aberto por muitos anos, em brecha calcária cimentada denominada "Ceppo
di Grè". A pedreira se situa na margem oeste do lago d ' Iseo no
município de Solto Collina e se situa próximo ao monte Clemo. A
pedreira estava licenciada para operar
a céu aberto, mas foi autorizada a efetuar testes em subterrâneo. Foi
desenvolvida então uma galeria de pesquisa, com objetivo de delimitar
um corpo lavrável da rocha decorativa e conhecer sua extensão e suas
características técnicas em profundidade. Isto permitiu também
avaliar a operacionalidade de uma serra de corrente, vez que não havia
dados disponíveis para tal equipamento em rochas deste tipo. Na
área, entre Riva di Solto e Castro, ocorre o bloco tectônico do monte
Clemo formado por camadas verticalizadas de dolomito em contato com o
conglomerado cimentado Ceppo que forma
escarpas de mais de 50 metros. O Conglomerado Ceppo, recobre de
forma descontínua as vertentes do monte Clemo; data do Pleistoceno e
possivelmente de um intervalo interglacial do Quaternário inferior. Sua
origem é atribuída à acumulação de brecha de talude. Esta
brecha é formada por fragmentos de tamanhos, variando de centímetros a
mais de metro, fortemente cimentados em uma matriz carbonática
localmente formada por microcristais de carbonato de cálcio. A
galeria de exploração, à época do trabalho, não tinha ainda
interceptado o contato Ceppo-Dolomito. Mas nas partes mais profundas as
rochas se mostravam mais fraturadas e de mais baixa qualidade. Por este
motivo as reservas lavráveis em profundidade tenderiam a diminuir em
relação ao estimado inicialmente. Objetivos A
morfologia da pedreira em
operação não favorecia a expansão da operação a céu aberto, pois
recuar a frente de lavra exigiria abrir acesso por cima da pedreira, em
situação localmente difícil. Foi
aberta uma galeria de pesquisa e foram identificados 3 tipos de
conglomerado Ceppo, com diferentes características técnicas de resistência
e de serem mais trabalháveis denominados, após testes de laboratório
usuais, como A, B, e C . O material caracterizado como A ocorre na face
da pedreira e se aprofunda 10 m na galeria. O material B foi encontrado
entre 10 e 30 metros na galeria. O material tipo C foi encontrado além
de 30 m. Testes
de laboratório ensaiados mostraram que as brechas extraídas em
profundidade têm características melhores que as observáveis a céu
aberto. Deste ponto de vista mostrou-se que a seletividade em subterrâneo
permitia a extração de blocos comerciais com recuperação maior da
jazida, ao mesmo tempo que a produção de material estéril a ser
rejeitado era menor. A
localização da pedreira , próxima à margem
do lago d' Iseo, atração turística de relativa importância,
coloca significativos problemas ambientais: adicionalmente a ruído,
poeira e projeção de pedras, existem problemas relacionados ao impacto
visual. A mineração subterrânea trás a compatibilidade destes
problemas com a atividade de extração mineral. A visibilidade das
novas áreas de extração ficará limitada às áreas de acesso e às
bocas das galerias (e às pontas de aterro). A poeira deverá ser diminuída
em muito e limitada às operações de carregamento O material para as
pontas de aterro será diminuído pela possibilidade de descarte dos
rejeitos nas cavidades da mina sendo desenvolvida. Deve-se
portanto observar que, se economicamente aceitável e tecnicamente factível,
a decisão de passar para subterrâneo responde não apenas a exigências
ambientais, certamente válidas, mas também a diretrizes corporativas.
O impacto visual de pedreiras a céu aberto é cada vez menos defensável
tornando-se cada vez mais difícil obter autorizações para implantá-las.
Isto leva a incertezas no planejamento de projetos resolvidas
trabalhando em subsolo. Sendo
assim a menor produção de estéreis e o maior percentual de blocos
aproveitáveis, mesmo a custos unitários mais elevados, pode levar a um
uso mais racional de equipamentos e de mão de obra, resultando em
aumento de produtividade e diminuição do custo do bloco comercial. Resultados A
operação de corte e remoção dos
blocos da frente de avanço já estava otimizada, utilizando serra de
corrente na galeria de pesquisa. A
galeria piloto é retangular com 6,15 a 6,20 m de largura com altura de
3 metros. Estas dimensões estão vinculadas à máquina de corte, já
que a frente pode tomar toda esta altura. Na largura a máquina pode
efetuar frente com mais de 5 metros podendo chegar a 9 metros se as
características do material assim o permitirem. A
frente é subdividida atualmente em 4 blocos efetuando-se 3 cortes
horizontais, no topo, meio e base da seção e 3 cortes verticais, nos 2
lados e no meio da galeria. Macacos planos são colocados nas fendas e
exercem tração no outro lado, na parte da frente não alcançável
pela serra. A extração dos blocos com macacos cria obviamente faces
irregulares nos blocos. Testes efetuados mostram que esta irregularidade
se limita a decímetros, valor considerado aceitável. O
tamanho da frente possibilita tomar 4 blocos de cada frente de 3 a 3,3 m
de extensão por 1,5 m de altura. Teoricamente a profundidade máxima,
na direção da galeria, é de 2,4 m, difícil de alcançar pois o número
prático, real, está entre 2 e 2,3 m, valores estes reduzidos
intencionalmente para 1,5 a 1,8 m, inserindo apenas parcialmente a lâmina
na frente para evitar a produção de blocos muito grandes que seriam
muito difíceis de manusear nas escavações subterrâneas existentes. Se bem que a velocidade de corte seja muito rápida,
considerando-se os tempos perdidos para posicionar a lâmina, a soltura
e retirada dos blocos, a
afiação das peças cortantes, o avanço da galeria é de uma frente
por semana ou de 130 a 150 m3 /mês. Donde se conclui que a
produção possível por este método é de 1.300 a 1.400 m3/
ano por cada frente de trabalho.
A
produção efetiva no ano anterior foi de apenas 800 m3, pois
houve um elevado percentual de
tempos perdidos experimentando diversos modos de trabalho (com e sem água,
com a inserção total ou parcial da lâmina, por exemplo) e
movimentando equipamentos nas galerias estreitas de então. Do
ponto de vista econômico o custo de extração é de 300.000 liras/ m3
seja a céu aberto seja em subterrâneo. A tendência é que
em subterrâneo a operação seja mais econômica que a céu aberto.
Isto é de certa forma surpreendente e é explicado primeiramente pela
pequena quantidade de material invendável, cerca de 35 %, produzido em
subterrâneo, valor que passa a 70% do extraído, trabalhando-se a céu
aberto. Combinando
estas considerações, com inegáveis vantagens ambientais e a
possibilidade de entrar em produção imediatamente na melhor parte do
depósito, conclui-se que a experiência em subterrâneo, neste caso foi
bem sucedida, permitindo supor que tal método possa ser estendido para
outras pedreiras.
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