Morfologia da margem brasileira

A morfologia da margem brasileira (Fig. 5.5) foi bem estabelecida, a partir de uma série de pesquisasoceanográficas que aconteceram durante as décadas de 70 e 80. Dados geofísicos foram coletados,nas margens continentais superior e inferior da costa brasileira, por diversas embarcações de pesquisa da Universidade de São Paulo, do Observatório Geológico Lamont-Doherty e do Instituto Oceanográfico Woods Hole. As pesquisas coletaram mais de 10.000 km de ecossondagem contínua, perfis de reflexão sísmica, perfis de refração por sonobóia, medições dos campos magnéticos e de gravidade e amostras de dragagem.  

Os dados destas pesquisas foram integrados com a vasta base de dados da Petrobras, cobrindo a margem continental superior. Ao norte, na margem continental da bacia Amazônica, a larga plataforma continental resulta de uma substancial sedimentação durante o Mioceno e constante subsidência. No Cone Amazônico, situado sobre a inclinação e elevação continental, mais de 10 km de sedimentos foram depositados durante o Mioceno (Milliman, 1979).  

Em contraste, a margem continental, na costa do nordeste brasileiro, consiste de uma plataforma estreita, cercada por um dos mais longos e, consistentemente, íngremes taludes continentais do mundo (Fainstein e Milliman, 1979). A costa do norte é cortada pela cordilheira do norte do Brasil, enquanto a costa nordeste é cercada pela cordilheira de Fernando de Noronha. As cadeias vulcânicas são relacionadas às grandes zonasequatoriais de fratura que foram formadas desde o inicio da separação do nordeste do Brasil e da África  equatorial. Depósitos e diápiros da sal são encontrados na plataforma e ao sul do platô marginal de  Pernambuco. Outra grande cadeia vulcânica, com lineamento leste-oeste, a cordilheira Vitória-Trindade, separa as plataformas continentais do leste e do nordeste (Rezende e Ferradaes, 1977). A atividade vulcânica criou dois bancos marginais, Abrolhos e Royal Charlotte, que subseqüentemente foram soterrados por sedimentos (Fainstein e Summerhayes, 1982).

 A estruturação interna da plataforma continental leste e do Banco de Abrolhos é influenciado pelo diapirismo do sal. O maior platô marginal, na costa brasileira, é o platô de São Paulo que fica adjacente às plataformas de Campos, Santos e Paraná (Fig. 5.5) O platô de São Paulo é uma extensão marginal da elevação do Rio Grande, uma cadeia oceânica, geneticamente, ligada à cordilheira de Walvis. No platô de São Paulo, a cobertura sedimentar, localmente, excede 3 a 4 km de  espessura e os diápiros de sal são abundantes. A margem do sul do Brasil também compreende grandes áreas de plataforma e declives que foram formados por uma substancial sedimentação Cenozóica.


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