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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
MUSEU NACIONAL


 
Setor de Blattaria

Sonia Maria Lopes Fraga

Edivar Heeren de Oliveira



Projeto em Desenvolvimento:


Informações Gerais:

  1. As Baratas e a Evolução:
  2. É um grupo de insetos dos mais antigos conhecidos desde o Carbonífero Inferior, como comprovam coletas de terrenos de cerca de 300 milhões de anos, quando ocupavam lugar de maior destaque  entre o grupo dos insetos. Viviam em lugares úmidos, sob folhas, perto de água, isso devido às impressões que deixaram nesses lugares. As ootecas das espécies daquela época são semelhantes às atuais. Existem 12 famílias de blattodea fósseis, baseadas em impressões alares exclusivamente. Atualmente são conhecidas cerca de 4000 espécies no mundo, sendo conhecidas no Brasil cerca de 1000 espécies. Sua posição na escala evolutiva vem sendo discutida como precursores ou não dos cupins (Isoptera).
     

  3. Distribuição Geográfica:
  4. Estão distribuídas em todo o mundo desde regiões neotropicais até paleárticas, podendo atingir tamanho de 5mm até 100mm, como é o caso daquelas pertencentes ao gênero Megaloblatta.
     

  5. As Baratas e seus Hábitos Alimentares
  6. Quanto ao regime alimentar são omnívoras ou oligófagas, elas aceitam tanto alimento animal quanto o vegetal, embora dêem preferência aos vegetais. Algumas espécies (Panesthiinae) são xilófagas, vivem em pau podre, que assimilam graças à presença de microorganismos  simbióticos (bactérias ou flagelados hipermastiginos em seu intestino) que transformam a celulose em dextrose graças à uma celulase, como pode ser exemplificado pelas espécies do gênero Cryptocercus.
     

  7. As Baratas e o Ambiente
  8. São espécies de hábitos noturnos e lucífugos, higrófilas e termófilas. Podem ser divididas em espécies terrestres, aquáticas e semi-aquáticas. Dentre as terrestres há espécies cavernícolas, desérticas e de outros habitats. Vivem em lugares escuros, por excelência, em abrigos sob folhas mortas, sob musgos, na base das folhas de  bromélias, em casca de árvores, pau podre,  em cavernas, debaixo de pedras, associadas a formigas (mirmecófilas), a cupins (termitófilas), miméticas ou domésticas associadas às habitações. Há espécies semi-aquáticas, na fase de ninfa, vivendo debaixo de pedras, nas margens dos rios, imersas por longo tempo.
    Existem baratas cegas que são encontradas em lugares obscuros (cavernícolas). No entanto, a atividade das baratas domésticas não é totalmente noturna. Há um período de grande atividade (17 às 19 horas) seguido de períodos de repouso e de volta à atividade. Quando começa a amanhecer, um outro grande período de atividade, para o repouso total durante o dia todo.
    Exigem um certo grau de unidade, daí a sua preferência por lugares mais ou menos escondidos, apresentando mesmo uma tendência bastante acentuada para penetrar em cavidades do solo e havendo algumas cavernícolas (Panchlorinae, Blattinae) e outras bem modificadas para esse meio (Nocticolinae).
     

  9. As Baratas e sua Importância Médico Sanitária
  10. Sua importância médico-sanitária é bastante discutida na literatura, pois podem servir de veículo de bactérias e vírus patogênicos, bem como de hospedeiro para helmintos, protozoários e fungos. O hábito de regurgitar parte do alimento digerido, ao mesmo tempo que defecam representa o grande perigo desses insetos em nossos lares. Entre as doenças causadas por microorganismos transportados pelas baratas são: a lepra, a desinteria, as gastro-enterites, o tifo, a meningite, a pneumonia, a difteria, o tétano, a tuberculose e outras.
    Entre as baratas domésticas são conhecidas ao todo 9 espécies, todas cosmopolitas que são: Periplaneta americana (Linnaeus, 1758), Periplaneta australasiae (Fabricius, 1775), Periplaneta brunnea Burmeister, 1838, Leucophaea maderae (Fabricius, 1781), Nauphoeta cinerea (Olivier, 1789), Pycnoscelus surinamensis (Linnaeus, 1758), Supella longipalpa (Fabricius, 1798), Blattella germanica (Linnaeus, 1758), Blatta orientalis (Linnaeus, 1758), esta não encontrada no Brasil.
     

    Periplaneta americana Periplaneta brunnea
    Nauphoeta cinerea Pycnoscelus surinamensis
    Supella longipalpa Blattella germanica
  11. Coleção
  12. A coleção de Blattaria do Museu Nacional, que conta com aproximadamente 17000 exemplares, foi iniciada pela Prof. Isolda Rocha e Silva em 1958, que a enriqueceu através de coletas realizadas nos arredores do Rio de Janeiro, estado do Pará e identificando material frequentemente coletado em expedições realizadas por coletores do Museu Nacional como Olmiro Roppa, coronel Moacyr Alvarenga, entre outros e Drs. Dalcy de Oliveira Albuquerque,  Newton Dias dos Santos, Joaquim Machado e Alfredo do Rego Barros. Atualmente vem sendo acrescida por material coletado em reservas florestais nos arredores do Rio de Janeiro, Alto da Boa Vista, Vista Chinesa, Jardim Botânico, Cachoeira de Macacu, Iguaba, Teresópolis e por material que vem nos sendo cedido pelo Prof. Johan Becker em suas expedições pela Bahia e várias localidades do município do Rio de Janeiro. Consta atualmente a coleção do Museu Nacional, com aproximadamente 20.000 exemplares da região neotropical, distribuídos em 5 famílias, 19 subfamílias, 8 tribos, 144 gêneros, dos quais a grande maioria encontram-se nela representados. Consta também dessa coleção 167 holótipos, 70 alótipos e 356 parátipos e cerca de uma centena de trabalhos publicados..
    Entre as baratas silvestres podem ser encontradas na coleção Blaberus giganteus, Blaberus discoidalis,  Eublaberus posticus, Hormetica ventralis encontradas em troncos apodrecidos e Helgaia serrana, típicos de bromélias

     

    Blaberus giganteus Blaberus discoidalis
    Helgaia serrana


    Ir para: Departamento de Entomologia
    Museu Nacional
    UFRJ

    Responsável - Atualizado em 18/07/2005